Início do menu.
Início do conteúdo.

Ultimas Notícias

Voltar

INCLUSÃO DE PESSOAS SURDAS É TEMA DE EVENTO NO TRT/RJ

Data de criação: 12/4/2019 17:15:00

MESA DE ABERTURA DO EVENTO DE PESSOAS SURDAS

Com o objetivo de contribuir para a inclusão na Justiça do Trabalho, a Escola Judicial (EJ1) do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT/RJ) realizou, nos dias 11 e 12/4, o Ciclo de Sensibilização para o Acolhimento de Pessoas Surdas ou com Deficiência Auditiva. O evento reuniu servidores, magistrados, especialistas e ofereceu uma programação diversificada: concurso de vídeos, apresentação de palhaços surdos, debate e gravação de podcast.

DEBATE INCLUSÃO E RESPEITO

Na manhã desta sexta-feira (12/4), foi realizado, na Escola Judicial (prédio-sede), o debate "Inclusão e Respeito", com a participação de duas intérpretes de libras. Durante a abertura, o presidente do Regional fluminense, desembargador José da Fonseca Martins Junior, ressaltou a excelência dos servidores e magistrados com deficiência que atuam no TRT/RJ. Também participaram da mesa de abertura o desembargador Marcelo Antero de Carvalho, presidente da Comissão de Acessibilidade do TRT/RJ, e o juiz auxiliar da EJ1 Roberto da Silva Fragale Filho.

Em seguida, o doutor em Ciência Política e professor do Departamento de Ensino Superior do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Desu-Ines), Mario José Missagia Junior, abordou o tema surdez e educação de surdos. De acordo com o professor, são raros os casos de surdez genética. A maioria da população surda perdeu a audição em determinado momento de sua vida, por algum motivo como, por exemplo, uma doença. “Quando a pessoa perde a audição, ainda que parcialmente, devido ao fator idade, o impacto é grande e exige uma série de adaptações. Mas, quando a perda da audição acontece durante a infância, o problema é ainda mais grave, pois faz muita falta ao surdo tudo aquilo que ele deixou de apreender e construir pelo fato de ser surdo”, explica.

O palestrante destacou que o mundo moderno ocidental é especialmente difícil para os surdos, pois possui uma cultura voltada para o áudio, para a lógica e o raciocínio pautados pela linguagem. “Dependemos da linguagem para estruturar, organizar nossos pensamentos e, consequentemente, compreender o mundo. A pessoa que não ouve desde a primeira idade, não adquire linguagem e, portanto, não poderá desenvolver todo esse processo”, declara.

Durante sua apresentação, Mario José Missagia Junior mostrou dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) que revelam que 124 milhões de pessoas no mundo têm alguma dificuldade de audição. Deste total, 108 milhões encontram-se em países em desenvolvimento.

Na sequência, o professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ernani Nunes Ribeiro, abordou as dificuldades enfrentadas pelos surdos no processo de inclusão nas escolas e universidades. De acordo com o palestrante, os professores não têm formação adequada para trabalhar com alunos surdos. “Geralmente, os docentes deixam o processo de inclusão a cargo apenas dos intérpretes de libras. Mas se esquecem, por exemplo, de utilizar um vocabulário mais acessível. Os intérpretes não têm acesso a termos técnicos e os alunos surdos perdem muito conteúdo”, alerta.

Outro ponto ressaltado pelo palestrante é que tem crescido a presença de surdos nas escolas e universidades brasileiras. Citou, como exemplo, dados do Senso Escolar 2018 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que revelam que o número de matrículas realizadas no Ensino Médio (Educação Especial) cresceu 101,3%, no período de 2014 a 2018.

Também participaram do debate a juíza titular da 58ª VT/RJ, Luciana Gonçalves de Oliveira Pereira das Neves, e os servidores do TRT/RJ Juliana Teixeira Moreira e Fernando Castro Rodrigues.

MONTAGEM COM APRESENTAÇÃO DOS PALHAÇOS SURDOS E MESA COM PALESTRANTES DO DEBATE SOBRE INCLUSÃO E RESPEITO
À esquerda, a apresentação da Companhia de Teatro Mãos Livres, com o palhaço
José Sinésio Tôrres Gonçalves Filho . À direita, os participanes do debate sobre inclusão e respeito  

ESPETÁCULO “PALHAÇOS SURDOS”, DA COMPANHIA DE TEATRO MÃOS LIVRES

No primeiro dia do evento (11/4), a Companhia Amazonense de Teatro Mãos Livres, formada exclusivamente por atores com deficiência auditiva, apresentou o espetáculo “Palhaços Surdos” no hall do Fórum da Lavradio, nos corredores dos 3º e 5º andares e nas salas de audiência da 57ª VT/RJ e 64ª VT/RJ.  Em todos os esquetes, os artistas interagiam com o público ensinado um pouco da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

As apresentações foram acompanhadas por diversos usuários do Fórum da Lavradio e por pessoas que vieram exclusivamente para o evento. Foi o caso de Pedro Henrique Silva, aposentado que soube da exposição porque o cartaz foi divulgado por pessoas com deficiência em um grupo de WhatsApp de que participa. Já uma reclamante que estava no fórum disse que o espetáculo foi muito bom e que ajudou até a relaxá-la, pois estava ansiosa por causa da audiência. Para o palhaço surdo Cleber Couto, a experiência foi boa e permitiu uma ótima interação com o público, e o advogado mineiro Francisco de Oliveira Sabino parabenizou o  TRT/RJ pela iniciativa.

ASSINATURA AIC