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REALIDADE DOS ATLETAS DE BASE DO FUTEBOL É DEBATIDA EM SEMINÁRIO NO TRT/RJ

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Data de criação: 15/4/2019 16:55:00

O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT/RJ) sediou, nesta segunda-feira (15/4), no auditório do prédio-sede, o seminário Entrando em campo com as categorias de base do futebol na cidade do Rio de Janeiro. O evento, que reuniu magistrados, servidores e especialistas, teve como objetivo discutir os direitos das crianças e adolescentes que integram as categorias de base do futebol carioca. A iniciativa de realizar o evento foi do Acordo de Cooperação para Combate ao Trabalho Infantil no Estado do Rio de Janeiro, do qual o TRT/RJ é um dos signatários.

Estiveram presentes na abertura do seminário o presidente do Regional fluminense, desembargador José da Fonseca Martins Junior, a coordenadora do Acordo de Cooperação e representante da Associação dos Magistrados do Trabalho da 1ª Região, desembargadora Gloria Regina Ferreira Mello, a representante do Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e de Proteção ao Trabalhador Adolescente (Fepeti/RJ), America Ungaretti, e a consultora em Direito da Criança e do Adolescente, pós-doutora em Direito e doutora em Sociologia, Ana Christina Brito Lopes.

PAINÉIS DE DEBATE

O professor de educação física e técnico em desporto escolar Fernando Barreto Barbosa participou do primeiro painel de debate intitulado “Benefícios e riscos da formação precoce esportiva: os desafios para o exercício da prática ao direito fundamental ao esporte”. De acordo com o palestrante, o esporte é uma mera ferramenta de auxílio ao processo de ensino e aprendizagem, pois o que realmente importa é o desenvolvimento acadêmico da criança e do adolescente em idade escolar.

De acordo com o professor, a evasão escolar no Brasil é absurda e houve também um afastamento dos pais e responsáveis da escola, por estarem demasiadamente ocupados com suas vidas profissionais. “Os pais e responsáveis estão transportando para a escola toda a responsabilidade pela educação de seus filhos. Educação deveria ser ensinada em casa e reforçada na escola”, esclarece.

Outra observação do professor é com relação à conduta de alguns clubes que preferem que seus atletas da categoria de base estudem em escolas fracas para não terem outra preocupação na vida a não ser treinar. Por último, o palestrante ressaltou a expectativa exagerada de alguns pais com relação ao futuro de seus filhos atletas.  “Os pais geralmente pensam que seus filhos serão 'Ronaldinhos' ou 'Romários'. O pior momento em uma competição é um pai desesperado, na arquibancada, querendo que seu filho seja o que ele não foi”, explica.

fotos dos palestrantes
À esquerda: primeiro painel de debates, com o professor de educação física e técnico em desporto escolar Fernando Barreto Barbosa. À direita, palestra do ex-goleiro Getúlio Vargas, durante o segundo painel de debates

O segundo painel, intitulado “A mídia como aliada no enfrentamento às violações nas categorias de base do futebol”, teve a participação do ex-goleiro, apresentador e comentarista esportivo Getulio Vargas. O ex-atleta, que entrou para o Flamengo com nove anos de idade e passou por todas as categorias até chegar ao nível profissional, relatou, durante sua palestra, um pouco de sua trajetória profissional e as dificuldades enfrentadas pelas categorias de base dos clubes brasileiros.

Além disso, o ex-goleiro defendeu a necessidade de se criar uma espécie de selo de qualidade para classificar as estruturas que os clubes oferecem aos seus atletas das categorias de base. “Se resolvessem passar um pente fino, fechariam todos os centros de treinamento no Brasil. E este é o certo porque não dá mais para expor essas crianças às condições às quais são expostas”, enfatizou.

O evento contou ainda com um terceiro painel, cujo tema foi “As invisibilidades das deliberações pelos Conselhos Estaduais de Direito como drible nas lacunas legislativas: os casos do Rio de Janeiro e do Paraná”. Os participantes foram a defensora pública titular da 2ª Defensoria da 1ª Vara da Infância, Juventude e Idoso do Estado do Rio de Janeiro, Simone Moreira de Souza, e o procurador de Justiça do Ministério Público do Estado do Paraná, Murilo José Digiácomo.

O quarto painel, intitulado “O enfrentamento contra as violações de direitos nas categorias de base do futebol diante de um caso concreto na cidade do Rio de Janeiro”, encerrou o evento e contou com a participação da procuradora do trabalho do Ministério Público do Trabalho (MPT/RJ) Daniela Cramer e da promotora de justiça do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP/RJ) Ana Cristina Huth Macedo.

SOBRE O ACORDO DE COOPERAÇÃO PARA COMBATE AO TRABALHO INFANTIL

O Acordo de Cooperação para Combate ao Trabalho Infantil no Estado do Rio de Janeiro, firmado em 5 de maio de 2014, é a união de entidades e instituições públicas e privadas com o objetivo de estabelecer condições e parâmetros para a realização conjunta de projetos e ações de mútuo interesse no desenvolvimento de atividades educativas, de sensibilização da sociedade civil organizada e de formação e capacitação de agentes para atuarem na implementação de planos de trabalho e ações determinadas à erradicação do trabalho infantil, bem como de todas as formas de exploração do trabalho que firam a dignidade humana.

São entidades signatárias: Procuradoria Regional do Trabalho da 1ª Região, Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, Superintendência do Trabalho do Rio de Janeiro, Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho - Fundacentro, Procuradoria da República no Rio de Janeiro, Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 1ª Região - Amatra1, Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rio de Janeiro, Defensoria Pública Geral do Estado do Rio de Janeiro, Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.

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