Cronologia

ampulheta

A palavra "tempo" possui múltiplos usos e significados. E a História revela-se lugar privilegiado dessa multiplicidade.

Por definição, a História é uma disciplina que considera o tempo como um de seus principais pressupostos; tendo por referência o estabelecimento de critérios temporais, ela ordena os fatos.  

Entretanto, o tempo empregado pelos historiadores não se limita ao tempo linear, utilizado na vida cotidiana ou nas ciências. Enquanto os calendários trabalham com constantes e medidas exatas e proporcionais de tempo, a organização feita pela ciência histórica leva em consideração a existência de diversas possibilidades de escolha de temporalidade: curta, factual ou média, conjuntural e ainda longa, estrutural. 
Assim, o historiador utiliza-se das formas de se organizar a sociedade para dizer que um determinado tempo se diferencia do outro.
Nas palavras da Historiadora Raquel Glezer: "As transformações culturais ocidentais, que se difundiram pelos espaços dominados pela civilização ocidental europeia, trouxeram tempos diversos para a contextualização histórica, e para cada tipo de fenômeno a ser estudado existem diversas possibilidades de escolha de temporalidade: longa, estrutural, milenar para os fenômenos de longa duração, como estrutura familiar, mentalidades, relação com o meio ambiente; média, conjuntural, secular ou semissecular para os fenômenos econômicos, sociais ou culturais, como ciclos de economia, estruturas sociais, formação econômica - social, crenças religiosas ou políticas; ou ainda, curta, factual, anual ou quase que diária, como a política cotidiana, os movimentos da economia, as transformações nas relações culturais em veículos de comunicação de massa etc."
Com todas as diferenças que apresentam entre si, ambos, tempo cronológico e tempo histórico, possuem grande importância para que o homem organize sua existência, e a História utiliza o tempo cronológico para organizar as narrativas que constrói.